Os dedos acelerados entoam notas criando melodias, disfarçando dramas, musicando comédias e exacerbando nas lágrimas. dedos acelerados lutam de escárnio, de desespero e brincam alegrias. pés cansados fingem-se casados pra não perder o ritmo e para aumentar o desespero da espera.
à janela ela fica. tristinha, sozinha, esmiuçada.
ouriçados os dois se mentem, se escondem como num jogo de palhaços assustados pelo tamanho do nariz vermelho que carregam bem ali: no centro da cara.
as mãos aceleram os braços, que fingem um abraço apertado - apertado de encontro - , mas não tanto "pra não sufocar".
ela agradece aos seus deuses, que no fim são sempre ela mesma, menina dos deuses próprios.
ele se esconde nos becos da cidade com garrafas de bebidas baratas - porque as caras não convém.
cada um escolhe uma frase e uma flor para si. é sempre mais fácil coincidir na flor, porque as frases são sempre muitas e a ânsia é sempre tanta...
daí os dois se isolam em reticências e permanecem ali, no centro de si mesmos.