era em ti que eu pensava enquanto eu
morria.
era em ti.
sempre em ti.
será que alguma vez tu
pensa?
tu lembra com saudade
de tudo que a gente podia ter sido e não foi?
a gente se encaixa tão bem em tantos
clichêsque chega a ser patético.
o que eu sinto por ti pulsa
tão forte dentro mim ainda.
nenhum caso sério meu
jamais chegou aos pés do eu queria ter sido
contigo.
algumas coisas entre nós
não funcionam, é verdade.
mas porra,
a gente podia ter tentado mais.
vamos pegar aquele
balão
de que tu tanto falava?
a
gente voa pra bem longe.
contigo eu vou pra
qualquer lugar.
pra qualquer onde.
não,
engano teu:
não sou submissa.
mas sabe, eu me pergunto
por que
eu ficava te escutando falar
durante horas
de outras
enquanto tu
tava comigo.
COMIGO.
tu falava de outras
quando tu
tava comigo
e isso é
quase imperdoável.
mas eu continuava morrendo.
hahahahaahahahaha.
eu morria
e tu
assistia
ao
espetáculo da minha morte.
assistia fumando um cigarro,
bebericando
com certo ar de descaso um uísque
- sempre achei que essa fosse
a bebida dos grandes dramas -,
jogando as cinzas dentro
do teu cinzeiro novo.
tu nem me olhava.
nunca entendi tua
falta de atitude.
nunca entendi
por que tu me deixou
morrer.
porque quando eu morri pra nós eu renasci em outros lugares.
e deixa eu te avisar: tu
também morreu um pouco quando eu morri.