era em ti que eu pensava enquanto eu
morria.
era em ti.
sempre em ti.
será que alguma vez tu
pensa?
tu lembra com saudade
de tudo que a gente podia ter sido e não foi?
a gente se encaixa tão bem em tantos
clichês
que chega a ser patético.
o que eu sinto por ti pulsa
tão forte dentro mim ainda.
nenhum caso sério meu
jamais chegou aos pés do eu queria ter sido
contigo.
algumas coisas entre nós
não funcionam, é verdade.
mas porra,
a gente podia ter tentado mais.
vamos pegar aquele
balão
de que tu tanto falava?
a gente voa pra bem longe.
contigo eu vou pra
qualquer lugar.
pra qualquer onde.
não,
engano teu:
não sou submissa.
mas sabe, eu me pergunto
por que
eu ficava te escutando falar
durante horas
de outras
enquanto tu tava comigo.
COMIGO.
tu falava de outras
quando tu tava comigo
e isso é quase imperdoável.
mas eu continuava morrendo.
hahahahaahahahaha.
eu morria
e tu
assistia
ao espetáculo da minha morte.
assistia fumando um cigarro,
bebericando
com certo ar de descaso um uísque
- sempre achei que essa fosse
a bebida dos grandes dramas -,
jogando as cinzas dentro
do teu cinzeiro novo.
tu nem me olhava.
nunca entendi tua
falta de atitude.
nunca entendi
por que tu me deixou
morrer.
porque quando eu morri pra nós eu renasci em outros lugares.
e deixa eu te avisar: tu
também morreu um pouco quando eu morri.
Quinta-feira, 5 de Março de 2009
Terça-feira, 3 de Fevereiro de 2009
.
oquei, eu deixo a minha porta aberta. mas ó: se o vento dos teus temporais acabar fechando ela, daí tu vai ter que bater.
Quinta-feira, 29 de Janeiro de 2009
...
Os dedos acelerados entoam notas criando melodias, disfarçando dramas, musicando comédias e exacerbando nas lágrimas. dedos acelerados lutam de escárnio, de desespero e brincam alegrias. pés cansados fingem-se casados pra não perder o ritmo e para aumentar o desespero da espera.
à janela ela fica. tristinha, sozinha, esmiuçada.
ouriçados os dois se mentem, se escondem como num jogo de palhaços assustados pelo tamanho do nariz vermelho que carregam bem ali: no centro da cara.
as mãos aceleram os braços, que fingem um abraço apertado - apertado de encontro - , mas não tanto "pra não sufocar".
ela agradece aos seus deuses, que no fim são sempre ela mesma, menina dos deuses próprios.
ele se esconde nos becos da cidade com garrafas de bebidas baratas - porque as caras não convém.
cada um escolhe uma frase e uma flor para si. é sempre mais fácil coincidir na flor, porque as frases são sempre muitas e a ânsia é sempre tanta...
daí os dois se isolam em reticências e permanecem ali, no centro de si mesmos.
Domingo, 7 de Dezembro de 2008
Domingo, 30 de Novembro de 2008
Mi pasión
Buenos Aires tem vida pulsante. Dia e noite, não importa, há milhares de opçoes culturais, intelectuais, sexuais, mágicas e assustadoras. Todas fazem sentido. Muitas delas justamente na falta de sentido que oferecem aos transeúntes ávidos por absorver a todos os milhares de ritmos.
Isso mesmo: Buenos Aires tem ritmo. Todos os ritmos e músicas - a bravura das notas que desafiam e estampam os subtes da cidade sao sensacionais. Mulheres bem arrumadas e com uma aura de charme além da compreensão e os exeplares masculinos mais bonitos que já vi "en vivo". Ônibus decorados a moda dos motoristas. Luta interminável para conseguir moedas para desfilar nas locomotivas que cruzam a cidade e acompanham o ritmo alucinado do trânsito bonairense durante as 24 horas do dia.
Os ipês amarelos e roxos que plantam suas pequenas flores no asfalto quente formam mais uma das imagens que se enraízam nas cabeças e planos de "logo voltarei" de todos os turistas que visitam esta cidade.
Buenos Aires não é uma cidade: é um paraíso que ninguém pode ou quer esquecer.
Os cafés, as sacadas cheias de plantas, a saudade do instante que acabou de passar e fica preso na memória e nos corpos dos que aqui visitam ou vivem. Buenos Aires é físico e deixa marcas corporais evidentes.
As pessoas que não se encantam com el buen aire que corre solto por aqui não são dignas de confiança. A cidade da cerveja gelada, dos cafés calientitos e dos helados frios fica para sempre. Não há como fugir daqui.
E mesmo quando a gente vai embora, Buenos Aires vai com a gente. Nos pulmoes e na cabeça / coração, como preferirem.
Quarta-feira, 19 de Novembro de 2008
( . )
E se alguém jogasse sobre mim um manto de veludo tao grande que eu, sozinha, nao conseguisse tirar?
E se eu nao pudesse nem sair, nem ficar...
E se eu nao pudesse nem sair, nem ficar...
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